Porque tantos acidentes vêm ocorrendo hoje? Isto tem justificativa?

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A Engenharia é uma ciência exata e que até então vem parametrizando seus resultados, demonstrando sua efetividade ao logo do tempo. A este exemplo  cito o engenheiro Frank Bird que em 1969, reviu os dados de acidentes ocorridos na seguradora onde trabalhava e publicou a obra  Damage Control (Controle de Dano). Seu levantamento envolveu dados de 1750 mil acidentes de 297 empresas, de 21 tipos de empresas diferentes. Com previsão total de 3 bilhões de Horas Homens de Exposição ao Risco.

Conforme verificamos nesta avaliação estatística, o que vem contribuindo para elevar consideravelmente o número de acidentes com fatalidade? Seriam porque as obras estariam sendo mal executadas, ou com baixa qualidade? Conforme demonstramos abaixo a culpa não está na Engenharia, e sim na gestão dos empreendimentos:

Se avaliarmos estas 2 últimas semanas tivemos os acidentes na Barragem de Brumadinho que até então contabilizou 150 mortos e 182 desaparecidos, o incêndio no Ninho do Urubu no Flamengo onde morreram 10 adolescentes e mais uma série de viadutos com problema no Rio e em São Paulo, descobertos após o acidente de São Paulo.

Notadamente verificamos que todos estes sinistros ocorreram em instalações já consolidadas a algum ou muito tempo, onde provavelmente a causa do sinistro está na falta de manutenção ou na ineficiência na análise e controle dos riscos destes projetos.

Na verdade no Brasil existe vasta legislação para definir parâmetros e ações visando mitigar estes riscos, mas que é tratado com descaso pelos gestores responsáveis e pelos próprios organismos delegados à fiscalização.

Este problema pode ter sido gerado pela ganancia, por problemas financeiros, ou negligência na gestão operacional, o que de forma alguma se justifica.

A inobservância e desrespeito à legislação gera perda de vidas, de patrimônio e pior o descaso com as instituições que as define, contribuindo assim para impunidade e realimentando seu próprio descumprimento.

Haja vista, a necessidade da liberação do AVCB nas edificações, desconsiderado pela direção do Flamengo, e do Alvará de funcionamento da unidade, onde houve mais de 30 multas efetuadas pela Prefeitura, em total descaso a esta!!.

O Problema da barragem de Brumadinho que mesmo depois do acidente de Mariana, foi tratado com imperícia e de forma leviana pela Direção da Empresa e pelas entidades delegadas à fiscalização destas operações…

E por fim as manutenções dos viadutos pelos Municípios.

Este lamentável quadro estatístico, de cerca de 350 pessoas mortas em 2 semanas, reflete nosso impróprio comportamento, assim como o descaso na gestão de riscos em condomínios definidos pela: NBR 16.280 (Norma para reforma), a NBR 15.575 ( Norma de Desempenho), que são desconsideradas pelos representantes legais das unidades.

A estatística é exata e está gritando, com certeza contabilizaremos mais 105 milhões de omissões na gestão de risco (350 mortes x 300.000 comportamentos de riscos), nos mais variados setores contribuindo  para esta estatística. Se não criminalizarmos as gestões negligentes e mudarmos a forma de tratar riscos, os sinistros serão ainda maiores… Acorda Brasil!

Carlos Eduardo Andrade Ayres

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